Temos que ser claros: Lisboa não obteve um bom resultado no European Green City Índex, um estudo desenvolvido pela Economist Intelligence Unit para a Siemens. Isto apesar do relatório ter sido baseado, sobretudo, em dados de 2003 a 2007.
Há categorias em que Lisboa está na “cauda” da Europa e é o próprio presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que o admite, em entrevista à Visão: “Existe um protocolo com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional para reduzir os níveis de poluição atmosférica na cidade, em particular no centro, que são, de facto, preocupantes”, explicou António Costa.
Qualidade do ar, níveis de CO2, transporte, água e resíduos e utilização do solo foram categorias especialmente visadas, negativamente, pelo estudo. O Economist critica muita vezes “a divisão de competências entre os serviços de nível local, regional e nacional”, o que “dificulta a coordenação de políticas”.
Também negativa foi a categoria dos transportes, devido sobretudo a três factores: a insuficiência de ciclovias (algo que tem sido corrigido nos últimos meses e que deverá alterar uma futura classificação de Lisboa nesta categoria); o facto de apenas 5% da frota de autocarros usar gás natural; e, provavelmente mais importante que as duas anteriores, o facto de uma em três pessoas utilizar veículo próprio para se deslocar dos subúrbios para o centro – ou circular dentro da cidade.
Este último indicador, porventura, será mais difícil de mudar, apesar dos mais recentes esforços. De positivo podemos realçar as iniciativas que têm sido tomadas, sobretudo nos últimos dois anos, e que pretendem colocar Lisboa no topo das cidades mais sustentáveis da Europa.
Em Dezembro de 2008, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou a Estratégia Energético-Ambiental, um plano com objectivos qualitativos e quantificáveis ao nível da energia, água e resíduos. É um começo.
Também positivo é a boa classificação lisboeta ao nível da energia, edifícios e governança ambiental. Sobretudo nesta última categoria, em que obteve 8.22 pontos de dez possíveis. Agora há que comparar estes resultados com os das restantes 29 cidades europeias avaliadas pelo Economist e perceber que exemplos positivos poderemos replicar para Lisboa. Mas disso falaremos, por aqui, nos próximos dias…







