Conter a população mundial pode ter o mesmo efeito no combate às alterações climáticas que construir milhões de aerogeradores para a produção de electricidade a partir do vento. A conclusão é do Fundo das Nações Unidas, num relatório sobre o Estado da População Mundial em 2009, publicado hoje.
À medida em que a contagem decrescente para a Cimeira de Copenhaga vai chegando ao seu fim, multiplica-se a publicação de estudos e relatórios sobre as alterações climáticas. O de hoje, reconheçamos, promete alimentar polémica.
“Reduzir o aumento da população ajudaria a aumentar a resiliência da sociedade às alterações climáticas e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa no futuro”, explica a organização, citada pelo Público.
Se a população crescer até aos oito mil milhões de pessoas até 2050, explica o relatório – em vez dos nove mil milhões previstos – seriam evitadas emissões de gases de estufa equivalentes a um a dois mil milhões de toneladas de dióxido de carbono.
Este mesmo efeito seria provocado pela instalação de dois milhões de aerogeradores com um megawatt de potência – ou seja, multiplicar por 17 a capacidade mundial actualmente instalada em energia eólica – (e daí a comparação).
Existem vários problemas derivados das alterações climáticas, como os movimentos migratórios, que levarão 200 milhões de pessoas a passar à condição de refugiados climáticos até 2050 – sobretudo mulheres, alerta também o estudo.
“As mulheres, em particular nos países mais pobres, serão afectadas de forma diferente do que os homens”, avalia o estudo, que diz que o sexo feminino – que assegura 60 a 80% da produção de alimentos nos países em desenvolvimento – é mais vulnerável a extremos climáticos.







