A chanceler alemã, Angela Merkel, apelou ontem a todos os países participantes na Cimeira de Copenhaga que apontem para um verdadeiro acordo sobre as alterações climáticas para o primeiro semestre de 2010.
A declaração da chanceler alemã surgiu depois de uma conferência de imprensa conjunta com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e foi vista como o reconhecimento de que um acordo, já em Dezembro, será improvável.
Merkel disse que tanto a Alemanha como a França estavam “preocupadas” com o facto dos países terem voltado atrás com algumas das suas ambições e propostas para cortar nas emissões de gases causadores do efeito de estufa.
“No próximo ano, se possível durante o primeiro semestre, temos que chegar a um acordo sobre as obrigações legal e internacionais de cada país”, explicou Merkel.
Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, explicou que tanto ele e Angela Merkel vão participar na conferência da Nações Unidas, em 17 e 18 de Dezembro próximos, para tentar um acordo que limite o aquecimento global a não mais do que dois graus até 2050 – e apelou a outros chefes de estado de países da União Europeia a juntarem-se a eles.
“Não queremos uma conferência com maus compromissos. A Europa tem feito bastante, mas precisamos de um movimento de todas as partes do Mundo”, continuou.
Um painel de cientistas das Nações Unidas recomendou que os países desenvolvidos cortem nas suas emissões de gases com efeito de estufa entre 25 a 40% abaixo dos níveis de 1990 – até 2020. Isto evitaria uma subida catastrófica dos níveis do mar, tempestades violentas e disrupções climáticas.
A União Europeia comprometeu-se a cortas as suas emissões em 20% até 2020 – e aumentar esta percentagem até 30% caso outras regiões também concordem com maiores reduções. A Rússia e o Japão estão a “prometer” cortar as emissões até 25% no mesmo período temporal.
Os Estados Unidos, porém, estão a ponderar um corte menor – situado nos 17% a partir dos níveis de 2005 – ou 3,5% desde 1990.
Recorde-se que, já esta semana, a chanceler alemã tinha dito que iria “tentar obter, pelo menos, um resultado mínimo” em Copenhaga. “O Governo alemão não esconde que as pré-negociações para a cimeira de Copenhaga não provocaram nenhuma euforia e essa é uma das razões para a chanceler ter decidido participar activamente na cimeira”, explicou então o porta-voz adjunto do executivo alemão, Christoph Steegmanns.







