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    Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

    O Túnel do Marquês é o lugar mais poluído do país

    É - e com razão de ser - um dos temas que dominou a manhã informativa. Segundo o jornal i, o Túnel do Marquês em hora de ponta é o lugar mais poluído do país. A conclusão é do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), que diz que os níveis de poluição no interior do (polémico) túnel é dez vezes superior ao limite legal.

     

    De acordo com o estudo, enquanto que nas principais zonas urbanas da capital portuguesa a média de partículas na atmosfera ronda os 50 microgramas por metro cúbico, no Túnel do Marquês esse valor dispara para os 500 microgramas.

     

    "As emissões de CO2 na atmosfera preocupam a generalidade das pessoas " – começa por dizer o engenheiro ambiental do ISEL e coordenador do estudo, Manuel Matos. “Mas as partículas são os constituintes mais perigosos para a saúde pública”, continua.

     

    Assim, e por serem pequenas, as partículas infiltram-se rapidamente nos pulmões e são absorvidas na corrente sanguínea, originando um leque alargado de doenças respiratórias e pulmonares.

     

    No entanto, as partículas encontradas no Túnel do Marquês são ainda mais perigosas, uma vez que 80% da sua composição é carbono. Segundo o ISEL, isto significa que boa parte do ar que se respira dentro do túnel é composto por restos de combustível queimado, metais libertados pela parte mecânica dos automóveis e ainda resíduos que se soltam dos catalisadores.

     

    Recordam-se da discussão que tivemos no LXSustentável, há uma semana, sobre mobilidade sustentável? Aqui está um pormenor que muito importante e que simplesmente não podemos descurar.

     

    O jornal i diz ainda que a poluição é um fenómeno associados a todas as passagens subterrâneas rodoviárias, no entanto no caso do Túnel do Marquês este problema é mais grave porque existe um cocktail de características perigosas: “É demasiado comprido e tem um elevado declive”, explica Manuel Matos. Leia aqui

    publicado por LX Sustentável às 15:21
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    1 comentário:
    De Pedro Gomes a 8 de Abril de 2010 às 18:40
    A notícia está claramente mal escrita, pois apresenta erros que certamente não terão tido origem no estudo do ISEL. Apesar de não ter lido o documento (e portanto não posso confirmar tudo o que vem noticiado), é um erro comparar os 500 ug/m3 de partículas medidos no túnel em hora de ponta com o valor-limite legal para protecção da saúde humana (50 ug/m3 durante 24h). Este valor-limite refere-se à concentração de partículas no ar ambiente (Ar exterior, ao nível da troposfera, excluindo os locais de trabalho), não se aplicando obviamente a túneis. Por outro lado, as bases temporais das medições são completamente diferentes, e por esta razão não se pode comparar valores medidos durante as horas de ponta com valores referentes a uma média diária. Sobretudo quando sabemos que um automobilista apenas passa alguns minutos dentro do túnel propriamente dito.

    De resto, como se conclui na notícia que o Túnel é o local mais poluído do pais? Não sabemos se se avaliou a qualidade do ar noutros túneis, como o da Av. João XXI ou o túnel do Grilo, daí não haver termo directo de comparação. Era interessante ter acesso aos valores obtidos nas medições levadas a cabo na Av. Liberdade (eu sei que também fizeram medições no topo da estação de qualidade do ar, pois vi lá o amostrador gravimétrico utilizado no estudo).

    De resto, concordo que estes níveis de poluição são um problema que necessita de uma solução, e que o grosso das partículas emitidas tem origem directa nos escapes dos veículos, sobretudo os diesel. Solução: para além de medidas de cariz tecnológico (com vista à melhoria do desempenho ambiental dos veículos) desincentivar o uso do transporte individual, através do aumento da atractividade do transporte colectivo e da fiscalização eficaz do estacionamento ilegal na cidade de Lisboa.

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