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Quarta-feira, 17 de Março de 2010

Arrogância “matou” Conferência de Copenhaga

A arrogância dos países ricos deitou tudo a perder na Cimeira do Clima, que se realizou em Dezembro em Copenhaga, na Dinamarca. Esta é a ideia defendida pelo economista britânico Lord Stern, que referiu que tanto os Estados Unidos como os países da União Europeia não perceberam suficientemente bem os problemas (e interesses) das nações mais pobres.

 

“Houve menos arrogância que nos anos anteriores – acho que passámos de um mundo G8 para um mundo G20 e por isso há mais países envolvidos – mas ainda havia arrogância e ela poderia ter sido muito melhor gerida pelos países ricos”, explicou Lord Stern.

 

Por exemplo, a União Europeia limitou o seu espaço de manobra porque muitas das suas principais figuras políticas queriam demonstrar que eram eles – e não outros – que estavam a liderar este processo.

 

Ainda assim, e segundo explicou o economista à BBC, a cimeira levou alguns países a demonstrarem que estão preparados para reduzir as emissões de carbono, e o facto de 73 destes terem mesmo assinado o acordo não vinculativo pode ser considerado, desde já, uma boa notícia.

 

“Copenhaga levou a que países importantes tenham afirmado as suas intenções de redução de emissões de carbono – países que não o tinham feito antes, incluindo a China e os Estados Unidos”, explicou.

 

Stern comparou a atmosfera vivida em Copenhaga com a política estudantil dos anos 60 – “caótica, desesperante, cansativa e desapontante” – e disse que os países não tinham muito espaço para a negociação.

 

Agora, todas as atenções estão na próxima cimeira climática sob a alçada das Nações Unidas, que ser realizará em Cancun, no México.

 

O secretário do ambiente mexicano, Juan Rafael Elvira, já disse que os países em desenvolvimento “têm que ver sinais claros que tem algo de palpável nas suas mãos em Cancun”.

 

“Os países em desenvolvimento querem ver o dinheiro [prometido pelos países ricos em Copenhaga] desbloqueado; a sobretudo as nações-ilha estão à espera desses fundos”, continuou.

 

Uma das maiores conquistas do Acordo de Copenhaga foi o comprometimento dos países ricos em ajudar financeiramente as nações mais pobres para estas se adaptarem às mudanças climáticas e tornarem as suas economias mais verdes.

 

Embora os valores não sejam consensuais, o objectivo será angariar 73 mil milhões de euros por ano até 2020, utilizando vários “mecanismos inovadores” como taxas nas viagens aéreas ou transacções bancárias.
 

publicado por LX Sustentável às 11:48
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